Infanticida
 
 
Eduardo Costa, em sua jornada, adentra à buceta com a firme intenção de temporariamente escapar, apenas para se deleitar com um breve gole de pinga. Contudo, algo notável começa a ocorrer. A cada passagem pelo limiar da entrada e sua emergência no exterior, uma sensação de déjà vu o envolve de maneira desconcertante. É como se ele estivesse destinado a retornar ao íntimo recinto, como se o próprio espaço brincasse com sua percepção.

Este ciclo enigmático se perpetua incansavelmente. Eduardo, ao sair, parece ser compelido a regressar ao mesmo ambiente que ansiava abandonar. Ele experimenta uma constante oscilação entre o interior e o exterior, uma dança perturbadora que não se submete às suas intenções. A cada tentativa de romper este ciclo, o desfecho é invariável: o âmago o acolhe com uma serenidade obstinada, desafiando qualquer lógica ou compreensão.

O que começou como a busca por um fugaz instante de prazer, representado por um gole de pinga, transformou-se em uma batalha contra a própria realidade. Eduardo, envolto cada vez mais na perplexidade, busca soluções que escapam ao seu entendimento. O espaço ao seu redor parece conspirar, resistindo a todas as tentativas de escapar dessa sequência irônica e infinita. A determinação de Eduardo colide com uma inexplicável força subjacente a este paradoxo, deixando-o aprisionado em um ciclo de entrada e saída que transcende qualquer explicação razoável.
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